terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Porque escrevo

Escrevo a esmo. Escrevo porque não tenho vontade de fazer mais nada... escrevo. Como se disso dependesse pra viver, pra me refugiar, pra deixar de lado o que me cerca e insiste em me confundir. Raras vezes eu fico sem graça.

Não sei saber se devo ou não me preocupar, e isso é meu inferno. É mentira. Sei que tenho que me preocupar. Mas não adianta.

Sinto falta de não ter tempo pra nada – sempre insatisfeito. Saudade dos tempos em que não conseguia fazer nada e fazia muito mais do que hoje. Saudade de ser sozinho (ser sozinho é também estar com todos, mas poder estar consigo. Sem estar comigo, não sou).

Organizo-me. Por isso escrevo. Não escrevo pra que leiam, pra que gostem, pra que tenham pena. Escrevo porque tenho pena de mim. Esse é meu único caminho, minha única rota, a forma que encontrei pra me ensinar a ser o que sou. Ainda não está funcionando.

Uma das maiores dores do homem é querer gritar ao lado de alguém que quer dormir. Quero gritar, urrar, subjugar tudo o que existe e ser maior – eu não quero ser maior... quero ser capaz de ser. Tudo que fica guardado uma hora explode e torna tudo muito maior do que deve. A revolta acende a memória.

O fato é que me enervo. Sinto cada nervo das costas se enrijecendo, vontade louca de viver a escatologia, de sempre purgar, de me livrar sempre do que não suporto ser e não suporto que sejam por mim... Sejam por mim?... Estou ficando louco.

PORRA! Quero gritar! Quero falar todos os palavrões que nunca falei porque nunca quis, nunca precisei, nunca gostei, ofender a mais tênue presença que se insinua, gritar, GRITAR, PORRA!

...

Juro, estou me segurando (devo?)... Quando quero chorar, não consigo. Mas eu sei: quando eu achar que melhorou, as lágrimas brotarão. E eu não saberei pará-las sozinho.





Escribo de forma aleatoria. Yo escribo porque no tengo ningún deseo de hacer nada más... escribir. Como si de eso dependiese para vivir, a me refugiar, a dejar de lado o que me cerca e estresa en me confundir. Raras veces estoy sin gracia.
No sé si preocupo me o no, y este es mi infierno. Es mentira. Sé que tengo que preocuparme. Pero no uso.
Extraño no tener tiempo para nada - siempre insatisfecho. Nostalgia de los tiempos en que no podía hacer nada y hacía mucho más que el día de hoy. Ganas de estar solo (estar solo también es estar con todos, pero poder estar con usted. Sin ser con yo, yo no soy).
Organizar mí. Por lo tanto, escribir. No escribo a ser leído, a que os guste, a que vosotros tengan pena. Yo escribo porque siento pena por mí. Esta es mi única manera, mi único camino, el camino me encontré que me enseña a ser lo que soy. Aún no funciona.
Uno de los mayores dolores de los hombres es querer gritar al lado de alguien que quiere dormir. Quiero gritar, gritar, someter todo lo que existe y ser más - no quiero ser más... Quiero ser capaz de ser. Todo lo que se salvó una hora explota y hace todo mucho más grande que hay. La revuelta se enciende en la memoria.
El hecho es que estoy nervioso. Me siento cada nervio de la espalda en rigidez, loco deseo de vivir la escatología, de siempre purgar, para deshacerse de lo que no soporto siempre ser e que Sean para mí... ¿Sean para mí? ... Yo voy loco.
¡CARAJO! ¡Quiero gritar! Hablar todos las palabrotas que nunca mencioné porque nunca he querido, nunca he necesitado, nunca me gustaba, ofender a la más sutil presencia que se insinúa, gritando, GRITANDO, ¡MALDITA SEA!
...
Lo juro por mí mismo, estoy mantenendome (¿Devo hacerlo?)... Cuando yo quiero llorar, no puedo. Pero yo sé: cuando lo me encuentrar mejorado, las lágrimas brotaron. Y sé que no se detendrán por sí solo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Meu estoque



ABSOLUTAMENTE SEM COMENTÁRIOS.

NEWS! GOOD NEWS!

NOVIDADES BOAS! HOSANA!

Ê, chão moiado!!!

- Quem vos fala é Waldyr, quase sendo alvejado pela insistência em pegar o violão e tocar Galhos secos/O sapo não lava o pé

Estou sentado no quarto do hotel, de frente para o notebook e ouvindo o grande Oswaldo Montenegro... “Pra longe do Paranoá!”, e aqui vão novidades legais:
Pedro, o rapaz sequelado do nosso quarto, conseguiu um emprego de dois dias, ganhando 85 paus por dia. Bem, o empregador é uma praga segundo ele, e eu acredito. É uma loja de tapetes - labuta enrolando tapetes, mudando de lugar, aspirando TODOS eles, fazendo entrega... Bem, ele virou um faz tudo por 2 dias. O cara deu 30 minutos pra ele almoçar, tadinho!
E eu e o Dani conseguimos um empreguinho também... 5 dias, de 20 a 24 de dezembro. Graças a Deus! Deve dar uns 50 dólares por dia, de modo que eu pago mais 3 semanas de hotel com essa grana =). Só falta arrumar um emprego fixo...
Estou pensando seriamente em comprar uns videogames aqui e revender no Brasil! Um Xbox sai por 200 dólares, mais 100 de taxa = 300, isso ta valendo uns 800 reais... dá pra vender por 1400 tranqüilo! Assim que eu vou pagar a viagem, UHAUhuhauHAUhauHAUHauhaUAH.
Encontro-me profundamente sem perspectiva: Já fui em todos os lugares que eu imaginei possíveis! TEM que nevar com força! De acordo com a previsão, até segunda teremos boa quantidade de neve... Isso é maravilhoso!
Bem, mudando de assunto... dois dias atrás eu fui peregrinar. Fui andando daqui até o Aspens, ida e volta (por dois motivos: Pra economizar 3 dólares ida e 3 volta, e pra expurgar o desânimo que havia dentro de mim – quando eu cheguei em casa, estava tão cansado que qualquer coisa que me acontecesse eu estaria satisfeito... Comi o miojo mais gostoso da minha vida!!!!). Foram 25 quilômetros mais ou menos ao todo. Me arrebentei! (Vocês não imaginam a minha satisfação ao dizer isso... mesmo.) Bem, e lá não consegui emprego nenhum também... Mas o caminho foi perfeito! Andei no meio da estrada, vendo corvos, esquilos, montanhas incríveis já cobertas de neve... lindo!
Hoje acordamos tarde e eu não tive tempo de roubar meu costumeiro suco do café da manhã... É a vida! Além do mais, meu estoque de miojo está acabando... hoje tenho que comprar mais no Albertson´s (O supermercado aqui perto).
Isso me faz lembrar um fato importante! Perdi minha carteira...
Olhando pelo lado bom: Só tinha 8 dólares nela, e TODOS os documentos brasileiros que não servem pra nada aqui....
Quem sabe alguém não acha e me entrega? =|

Tenho morrido de saudades do Brasil! PRECISO de um café de verdade, de arroz, tutu e couve, com um franguinho cozido com batatas... Aiê! Quero ver todo mundo de volta!
Saudades demasiadamente grandes...

Beju para todos! Boa sorte pra nós!

P.S.: Anoto aqui pra que eu não esqueça: Preciso fazer um tópico só para contar como foi o Dani escolhendo casaco na Cloudveil...

Waldyr, employment Hunter.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Estranhezas da viagem III

Estranhezas da viagem3
Pessoas, pessoas, pessoas

Como o Waldyr se veste:

1° camada: SEGUNDA PELE – uma blusinha preta, de manga comprida, que chamamos assim porque é “coladinha” na pele... faz muita diferença, mas estou usando a mesma há uns 3 ou 4 dias =)
2° camada: BLUSA ¾ NORMAL
3° camada: CASACO – freqüentemente, aquele que mamãe comprou pra mim na 8° série quando eu fui pra Barbacena
Em baixo: CALÇA DE PIJAMA + CALÇA JEANS = ALEGRIA...
Adicionais: LUVA, TOUCA, DUAS MEIAS, TÊNIS, algumas vezes CACHECOL...

PÉROLAS DA VIAGEM:

"WE HAVE TO PAY MERMO?" - Alexandre Pavam, para o atendente do hotel
"THAT´S IT, NÉ?" - Daniel, transeunte desconhecido


Olá, pessoas!
Esse é pra todos que falam que americano é um bixo (com X mesmo) ruim, babaca, frio e cruel... Cara, as pessoas aqui são maravilhosas! Simpáticas e educadas que deixam a gente, brasileiros, até desconfiados.
Óia só: Em Salt Lake, nossa parada antes de chegar a Jackson, fomos procurar o escritório do Social Security (É um cartão que nós temos que tirar pra ter o direito de trabalhar aqui...). Perguntamos a um cara onde era, e ele disse que não sabia... Uns segundos depois, o cara chamou a gente e disse que achava que era pra esquerda... daí, continuamos andando. O cara chamou a gente de novo, correu para alcançar-nos e, com o seu Wi-Phone na mão, mostrou o lugar por onde devíamos ir pelo Google Maps! Putz, inacreditável...
E houve muito mais! Um dia, eu estava abrindo o mapinha de Jackson na rua e uma mulher parou o carro e perguntou: “O que você está procurando?”, e me indicou o caminho certinho!
Por falar em carro, os carros aqui PARAM pra você atravessar... É só parar do ladinho da rua e todo mundo para e faz sinal pra você passar! Incrível, né?
Agora eu vou contar algo engraçado... fui numa loja chamada Mountunes. Eu tinha mandado um e-mail pra lá pra pedir emprego, e a mulher (Susan) disse que não tinha nada, mas tinha me achado legal e mandou eu passar lá pra dizer “Hello”. Fui lá intão, né?
É uma loja de Piercing, Tatoo e música, e a moça tinha 4 cores no cabelo! MUITO gente boa... falou da neve, riu dos mexicanos que moram aqui e mandou eu rezar para UULARF... quem é Uularf? O Deus nórdico da neve! Ela contou que há uns anos atrás ela e os empregados queimaram alguns esquis em sacrifício ao Uularf, e que depois nevou... Bom, quem sabe não dá certo?
Será que o Uularf gosta de miojo?
Beijo pra todos! Saudades mil!

Fiquem com Deus, e até mais!
NOVIDADE: Compramos um violão, deu 20 paus pra cada um... Glória! Aleluia!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meu segredo...

Sinto vontade de fechar os olhos e não abrir mais, sem morrer, sem dormir, só me desligar do que existe em volta e estar apenas Eu. Não sei mais o que sou há muito tempo, mas descubro cada vez uma outra forma como “posso ser”. É duro ter que escolher quando se econtra o limite, o ponto culminante, onde se decide entre entregar-se a Deus e não acreditar nele – a dúvida que enoja e assusta, mas está presente. Os extremos se confundem.
Continua o medo do que me virá, e saudade do que eu sei que não vai ser nunca mais... saudade dos meus anos passados. Sentir raiva do que sou não adianta mais. Chorar sem motivo é só mais uma de minhas manias.
Faltam-me forças. Não sei bem pra quê, mas faltam-me. Medo de perder o apreço de quem amo... medo de já estar perdendo. Vontade de ter vontade de vomitar, só pra ter um jeito de botar tudo pra fora, bulimia de pensamentos... Quero xingar e gritar e falar com todos o que eu sinto mas não tenho coragem e por isso guardo e guardo e não sei o que é meu ou não é no fim...
Meu segredo eu não sei.
Das duas, uma: ou me entendo, ou me acabo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

News!

Estranhezas da viagem2
Vida loka, Vida Á

Diário de bordo: Hoje, graças a todos os deuses de todos os panteões, nevou. Mas ainda não é neve suficiente pra abrir a porteira das contratações... Quem sabe até o fim da semana!
Almoço de hoje:
2 miojos
3 salsichas
Suco furtado do café da manhã
(...)

Bem, eu trouxe meu celular já sabendo que ele só serviria como relógio e despertador, mas eu não imaginava que meu carregador não entraria em NENHUMA tomada americana. O maldito plug daqui é nos moldes daquela entrada de computador – dois palitinhos de picolé e um “cilindro”... E o pior é que um adaptador (achado com muito custo) custa 22 dólares (Um celular pré-pago com 300 minutos custa 30 dólares no mercado ao lado =P)
Continuo na vida de biscoito e comida congelada... Ieargh! E nos fast foods, já ví até hamburguer com pão doce... ou melhor, já até comi! Mas foi sem querer... se eu soubesse que o pão era doce, não teria pedido, e se eu soubesse que era tão ruim, teria me mantido demasiadamente afastado!
Já imaginou você dizer que a melhor coisa que você anda comendo é torrada com requeijão? AUHuahUHAuhauHAUH Estou assim, mas é mais por pão-duragem. Na verdade, nenhum de nós está comendo bem, fora um sorvete que o vini trouxe que é espetacular, mas quando arrumarmos emprego, viveremos a doce vida de pizza e lasanha no microondas (...).
Roubei umas mostarda e uns catchup do McDonald’s pra botar naquela salsicha sinistra.... vamos ver no que dá!
Nossa casa (estamos chamando nosso quartinho de “casa”, pra ficar mais acolhedor”) virou um muquifo! Parece o quarto do Guilherme, meu irmão. Um mané pendurou uma cueca pra segar perto da janela, as camas estão completamente desarrumadas e tem jornal e mala por todo lado.... Mas está ficando com a nossa cara. Colamos uma bandeira do Brasil que o Pedro trouxe na parede, tem um origami lindo Made in Casa da Bia pendurado no centro e eu comprei um bichinho de pelúcia de 1 dólar, um bonequinho de neve, chamado carinhosamente de “Tchola”.
Ademais, o banho é maravilhoso: chuveiro quentinho, banheira... o colchão é de mola e o travesseiro é ótimo! E outra boa notícia: Arrumei um copo com tampa pra apropriar-me do suco do café da manhã – isso significa 400 ml de suco por dia. Se eu usar com economia, serei feliz.
Já estamos pensando em fazer algo alternativo, tipo vender origamis na praça, mas aqui está tão movimentado quanto domingo à tarde no calçadão (!). Aliás, ninguém aqui anda a pé. Comentário adicional pra quem gosta de carro: aqui, corolas, civics e caminhonetezinhas são carros populares... Só tem carro ninja e caminhonetes do tamanho de caminhões (exagero...)
Amo todos vocês, e sinto saudades! Até uma próxima!
AbraçU!
Waldyr, o belo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Estranhezas da viagem - parte I

Sem neve, sem emprego... rezando profundamente pra nevar logo! Novidades aqui:

Estranhezas da viagem 1
Tentativa de um diário compartilhado

Estamos a 11.000km de Juiz de fora, ou melhor, a uma distância de aproximadamente 6900 milhas... Bem, a primeira coisa que dá pra estranhar por aqui são as medidas! Todas elas! Estamos aprendendo a medir a distância em milhas ou em pés... legal, né?
Aqui faz um frio da morte. Se colocarmos um copinho d’água do lado de fora, congela... e isso não é exagero! Hoje pela manhã a temperatura chegou a 13° Farenheit... OK, de acordo com a formulinha que todos aprendemos no ensino médio, Farenheit -32 / 1,8 = Celsius... ou seja, pela manhã aguentamos -10,5°C. Mais gelado que a geladeira da Brahma, e mais baixo que a temperatura de congelamento da água.
Outra coisa doidera: As moedas não tem números! Temos que decorar o que são pelo tamanho e formato... Não existe moeda de 50 cents, e eles USAM as moedas de 1 cent! Sempre! As coisas que custam US$1,07 custam efetivamente US$1,07.
O peso por aqui é medido em oz. Até agora eu não sei converter essa joça! UHAjhauHAUhauHAUjAAUhauH. Tudo bem, isso não é engraçado. Pelo menos é a mesma medida de tempo (Embora aqui nunca se leia 13:00h, mas 1:00PM...)
Já sinto muitas suadades de tudo... Da família, da minha linda e dos amigos... E da comida brasileira! Comprei uma porcaria de salsicha de 6 dólares – 16 salsichões congelados! Eca! Mas vou comer até o fim... Quem não tem emprego não escolhe comida =). O café daqui é péssimo... pelo menos o do hotel – estou misturando com leite! Ah, e as barras de cereal estão rendendo bastante.
Amo vocês! Fiquem com Deus, e até uma próxima!
Finalizo com piada:
- como se diz “Frio do caralho” em inglês?
- Jackson Hole, Wyoming!
Bye!