terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meu segredo...

Sinto vontade de fechar os olhos e não abrir mais, sem morrer, sem dormir, só me desligar do que existe em volta e estar apenas Eu. Não sei mais o que sou há muito tempo, mas descubro cada vez uma outra forma como “posso ser”. É duro ter que escolher quando se econtra o limite, o ponto culminante, onde se decide entre entregar-se a Deus e não acreditar nele – a dúvida que enoja e assusta, mas está presente. Os extremos se confundem.
Continua o medo do que me virá, e saudade do que eu sei que não vai ser nunca mais... saudade dos meus anos passados. Sentir raiva do que sou não adianta mais. Chorar sem motivo é só mais uma de minhas manias.
Faltam-me forças. Não sei bem pra quê, mas faltam-me. Medo de perder o apreço de quem amo... medo de já estar perdendo. Vontade de ter vontade de vomitar, só pra ter um jeito de botar tudo pra fora, bulimia de pensamentos... Quero xingar e gritar e falar com todos o que eu sinto mas não tenho coragem e por isso guardo e guardo e não sei o que é meu ou não é no fim...
Meu segredo eu não sei.
Das duas, uma: ou me entendo, ou me acabo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

News!

Estranhezas da viagem2
Vida loka, Vida Á

Diário de bordo: Hoje, graças a todos os deuses de todos os panteões, nevou. Mas ainda não é neve suficiente pra abrir a porteira das contratações... Quem sabe até o fim da semana!
Almoço de hoje:
2 miojos
3 salsichas
Suco furtado do café da manhã
(...)

Bem, eu trouxe meu celular já sabendo que ele só serviria como relógio e despertador, mas eu não imaginava que meu carregador não entraria em NENHUMA tomada americana. O maldito plug daqui é nos moldes daquela entrada de computador – dois palitinhos de picolé e um “cilindro”... E o pior é que um adaptador (achado com muito custo) custa 22 dólares (Um celular pré-pago com 300 minutos custa 30 dólares no mercado ao lado =P)
Continuo na vida de biscoito e comida congelada... Ieargh! E nos fast foods, já ví até hamburguer com pão doce... ou melhor, já até comi! Mas foi sem querer... se eu soubesse que o pão era doce, não teria pedido, e se eu soubesse que era tão ruim, teria me mantido demasiadamente afastado!
Já imaginou você dizer que a melhor coisa que você anda comendo é torrada com requeijão? AUHuahUHAuhauHAUH Estou assim, mas é mais por pão-duragem. Na verdade, nenhum de nós está comendo bem, fora um sorvete que o vini trouxe que é espetacular, mas quando arrumarmos emprego, viveremos a doce vida de pizza e lasanha no microondas (...).
Roubei umas mostarda e uns catchup do McDonald’s pra botar naquela salsicha sinistra.... vamos ver no que dá!
Nossa casa (estamos chamando nosso quartinho de “casa”, pra ficar mais acolhedor”) virou um muquifo! Parece o quarto do Guilherme, meu irmão. Um mané pendurou uma cueca pra segar perto da janela, as camas estão completamente desarrumadas e tem jornal e mala por todo lado.... Mas está ficando com a nossa cara. Colamos uma bandeira do Brasil que o Pedro trouxe na parede, tem um origami lindo Made in Casa da Bia pendurado no centro e eu comprei um bichinho de pelúcia de 1 dólar, um bonequinho de neve, chamado carinhosamente de “Tchola”.
Ademais, o banho é maravilhoso: chuveiro quentinho, banheira... o colchão é de mola e o travesseiro é ótimo! E outra boa notícia: Arrumei um copo com tampa pra apropriar-me do suco do café da manhã – isso significa 400 ml de suco por dia. Se eu usar com economia, serei feliz.
Já estamos pensando em fazer algo alternativo, tipo vender origamis na praça, mas aqui está tão movimentado quanto domingo à tarde no calçadão (!). Aliás, ninguém aqui anda a pé. Comentário adicional pra quem gosta de carro: aqui, corolas, civics e caminhonetezinhas são carros populares... Só tem carro ninja e caminhonetes do tamanho de caminhões (exagero...)
Amo todos vocês, e sinto saudades! Até uma próxima!
AbraçU!
Waldyr, o belo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Estranhezas da viagem - parte I

Sem neve, sem emprego... rezando profundamente pra nevar logo! Novidades aqui:

Estranhezas da viagem 1
Tentativa de um diário compartilhado

Estamos a 11.000km de Juiz de fora, ou melhor, a uma distância de aproximadamente 6900 milhas... Bem, a primeira coisa que dá pra estranhar por aqui são as medidas! Todas elas! Estamos aprendendo a medir a distância em milhas ou em pés... legal, né?
Aqui faz um frio da morte. Se colocarmos um copinho d’água do lado de fora, congela... e isso não é exagero! Hoje pela manhã a temperatura chegou a 13° Farenheit... OK, de acordo com a formulinha que todos aprendemos no ensino médio, Farenheit -32 / 1,8 = Celsius... ou seja, pela manhã aguentamos -10,5°C. Mais gelado que a geladeira da Brahma, e mais baixo que a temperatura de congelamento da água.
Outra coisa doidera: As moedas não tem números! Temos que decorar o que são pelo tamanho e formato... Não existe moeda de 50 cents, e eles USAM as moedas de 1 cent! Sempre! As coisas que custam US$1,07 custam efetivamente US$1,07.
O peso por aqui é medido em oz. Até agora eu não sei converter essa joça! UHAjhauHAUhauHAUjAAUhauH. Tudo bem, isso não é engraçado. Pelo menos é a mesma medida de tempo (Embora aqui nunca se leia 13:00h, mas 1:00PM...)
Já sinto muitas suadades de tudo... Da família, da minha linda e dos amigos... E da comida brasileira! Comprei uma porcaria de salsicha de 6 dólares – 16 salsichões congelados! Eca! Mas vou comer até o fim... Quem não tem emprego não escolhe comida =). O café daqui é péssimo... pelo menos o do hotel – estou misturando com leite! Ah, e as barras de cereal estão rendendo bastante.
Amo vocês! Fiquem com Deus, e até uma próxima!
Finalizo com piada:
- como se diz “Frio do caralho” em inglês?
- Jackson Hole, Wyoming!
Bye!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Cansaço de mim

Cansei de mim.
Tenho a vaga, porém lúcida impressão de que não faço mais parte desse mundo... e se ainda faço, não quero fazer. Sinto nas costas o peso da porcaria nenhuma que teimo em carregar, burro da carga alheia que tomo por minha.
Acho que meu estado atual me entristece. Saber que o eu criança desejava um mundo lindo, de amor e fé, de esperança e igualdade, torna ainda mais soez meu desejo hodierno de um canto só meu. Um canto em que nada nem ninguém me queira, me cobre, me seja, me molde. Recorrente sensação de que estou me tornando pior.
Julgar-se erroneamente acima da média é obrigar-se a estar sempre acima. Permitir a cobrança dos outros guiando sua vida e acreditar que você não pode decepcionar ninguém. Depois, é passar a culpa para si, estimular a si mesmo a uma falsa alegria infinita, que esconde dores e mazelas de quem não te quer assim até encontrar onde vomitar tudo isso – que seja um texto qualquer. Uma das piores coisas pra mim é a necessidade de contentar-me com o pouco que sou.
Dói saber o porquê disso tudo. Aliás, dói achar que sei, e mesmo assim não achar forças para viver... Só para existir. Quero ser o que sou, mas não sei se minhas censuras vêm do meu prejudicado bom senso ou da pressão de quem me acha Bom. Não sou. Sinto falta de achar que estou no caminho certo. Falta da inocência e da ignorância que não me permitiam os pensamentos de hoje. Falta de querer amar meu semelhante sem ter medo de ser obrigado a amá-lo pra sempre, e uma puta saudade do que não me existe.
Que se dane. Eu não suponho que ninguém me entenda. Afinal, essa suposição seria um contra-senso. Se expurgo tudo por aqui, não é para despertar pena ou admiração. Para o inferno com esses dois. É só para me lembrar de como eu era: Uma criança que escrevia. Sem vergonha do que sente e sem medo de ser feliz, a desenhar o destino que queria e não iria alcançar, em linhas verdes traçadas com firmeza, infantilmente.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cri-Cri

Talvez eu leve uma vida inteira para entender porque os grilos canta. Na escuridão adocicada da noite, um solitário som se ouve partindo de lugar nenhum, mas notadamente proveniente de um artrópode – verde ou marrom – com hábitos noturnos e que pode pular dezenas de vezes sua altura.
O canto incessante, longe de atrapalhar meu sono, me acalenta. Não canta pedindo respostas, seduzindo uma fêmea, chamando atenção ou qualquer outra coisa que eu possa apreciar, mas canta o tempo todo, fiel a uma verdade escondida. Mas para que? Por que derrama gratuitamente sua melodia pela noite em vez de aprofundar-se na quietitude e mansidão de um lar bem feito no meio de folhas e terra fresca? O que ele procura ou deseja? Quais os anseios daquele inseto?
Minha ingênua cabeça busca resoluta uma solução para tudo isso. A resposta não pode ser apenas “Ora, o grilo não canta por motivo algum. Canta porque canta!”. Ao menos não pode ser para mim, ser humano, supremacia da criação e maior que todo o resto. De jeito nenhum. Porque se cantasse por nada, o grilo se tornaria milhares de vezes superior a mim – que nada faço sem razão. Cantar por um imperativo da natureza é algo além do que posso compreender.
O fato é que canta. O mesmo cri-cri noite adentro, estendendo-se pela eternidade. Um canto capaz de despertar qualquer um para as coisas maiores, e um canto disposto a ensinar um dos maiores segredos do mundo a quem tiver vontade de escutar.

domingo, 9 de novembro de 2008

No reino das palavras...

Dedico às palavras
o respeito que lhes devo,
tolamente.


Uso e abuso
como se me pertencessem
e peço perdão
pelos devaneios que tenho

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Recolhimento proibido

Quando eu pousei meus olhos nela, parecia querer fazer o impossível. Abriu um olho para me fitar, não como alguém especial, mas como outro transeunte qualquer a atrapalhar sua vida. Logo voltou a fechá-lo. Seu corpo delgado enrodilhava-se sem muita dificuldade sobre os dois assentos, a mochila cheia usada como apoio e travesseiro improvisado. Seus cabelos já não respondiam mais, rendidos ao vento que entrava generosamente pela janela do menino da frente, que ameaçava vomitar.
Não fui para o fundo, como de costume. Sentei-me na poltrona logo atrás dela. Não foi por sadismo, juro. Não sei dizer direito o porquê.
O ônibus voltou a se mexer, e senti que seu martírio recomeçou. A cantoria dos garotos – os incríveis garotos que explodem de alegria no início das mais cruentas manhãs – infestava o ambiente, perpassado pelo ar gélido do dia que aceitava o convite das janelas abertas. A profusão dos ritmos era frenética, e ela, estóica e firme, recusava-se a levantar. Aquilo me deixava um tanto inquieto, e diria que algo preocupado...
Arrisquei um olhar tímido por sobre o banco. E outro. Depois mais um. Ela remexia os braços e as perna em busca de uma posição favorável. Já havia desistido de vestir o casaco para cobrir com ele parte do corpo desprotegido. A testa enrugava, certamente por causa do barulho. Os olhos sempre fechados.
Eu não podia fazer nada. Eu sabia disso. Contudo, meu desejo – meu estranho desejo – era que ela simplesmente conseguisse descansar. Talvez alguém a estivesse esperando do outro lado do sono. Talvez tivesse dormido mal, ou estivesse doente. Mas naquela hora, nem pensei em nada disso. Recusei mais de uma vez os convites de meus amigos cantores só para permanecer ali, próximo da menina que eu não conhecia, em silenciosa prece para que ela deixasse aquele mundo por alguns instantes e conseguisse dormir.